Dentro
das causas da umidade nas construções, a condensação
costuma ser relegada a segundo plano, porque no nosso clima, este fenômeno
não costuma trazer grandes incômodos relativos ao bem estar
pessoal embora, em contrapartida, possa causar grandes prejuízos
com o estrago causado aos materiais e instalações existentes.
É dever do profissional da impermeabilização informar
ao cliente sobre o risco desse fenômeno quando as condições
locais são propícias para isso e, se possível, quais
as providências a serem tomadas para a sua prevenção.
Certamente, esta atitude evitará muita perda de tempo e aborrecimentos
futuros.
Tentaremos
aqui transmitir a base teórica para melhor compreensão do
fenômeno, começando hoje pela apresentação do
diagrama de Mollier, que expressa as curvas da umidade relativa em
função da quantidade de água na atmosfera e da temperatura.
Vamos estabelecer algumas definições, acompanhando o gráfico ao lado:
Limite de saturação – O ar é uma mistura gasosa em que um dos componentes é vapor de água. Este vapor é medido em quilograma por m3 ou quilograma por quilograma de mistura e chamado de umidade absoluta.
Para uma determinada temperatura do ar a umidade absoluta tem um valor limite chamado de "limite de saturação" definido pela curva de saturação (100%).
Umidade relativa: É a relação percentual entre a umidade absoluta e a umidade do limite de saturação (curvas do gráfico).
Ponto ou temperatura de orvalho: É a temperatura em que se dá a condensação. Se abaixarmos progressivamente a temperatura do ar, a massa de vapor de água (umidade absoluta) permanece constante, mas a umidade relativa aumenta até que uma certa quantidade de vapor passe ao estado líquido (quando ultrapassa a curva de saturação).
Todos os fenômenos de condensação superficial que provocam umidade sobre lajes, paredes, etc, são ligadas a esta noção de ponto de orvalho.
Fazendo um ensaio
no diagrama de Mollier com as condições atmosféricas
registradas no Rio de Janeiro no dia 27 de Novembro, em que tivemos o ar
à temperatura de 28 ºC e a umidade relativa a 80%, o ponto
de orvalho ocorre a 25ºC. Nesta época do ano é possível
encontrar dentro do Rio locais com superfícies com temperaturas
abaixo desta, como é o caso de alguns subsolos.
Casas situadas em certos microclimas, como no Alto da Boavista, sofrem muito com este fenômeno, pois a temperatura das paredes internas corresponde normalmente à temperatura média local, que é relativamente baixa e inferior ao ponto de orvalho que o ar externo assume num dia de verão quente e úmido e certamente provocará condensação superficial sobre estas paredes.
É claro que estamos tratando do fenômeno como se ele fosse perfeitamente estático, o que na realidade não ocorre devido às diversas barreiras construtivas, correntes de ar, etc. Na prática, os traços de umidade aparecem principalmente nos seguintes locais:
cozinhas e banheiros onde é gerado muito vapor pela água aquecida e pela combustão de gás. cômodos mal ventilados, subsolos e por trás de armários onde o ar circula deficientemente.
desvãos ou caixões perdidos por baixo de jardineiras e caixas d’água. O caso de caixões perdidos totalmenteconfinados podem ser uma dor de cabeça para os profissionais da impermeabilização se certos cuidados não forem tomados. O exemplo exposto na figura ao lado é muito comum nas construções de coberturas no Rio de Janeiro. O vapor de água se difunde através da alvenaria que tem uma alta permeabilidade ao vapor e ao encontrar as superfícies frias do fundo da jardineira se condensa criando verdadeiros depósitos de água dando origens a infiltrações aparentemente inexplicáveis em dias de pleno sol e calor.